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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Uma Nova Vida


Sempre assim... Acordava todos os dias, nem tão cedo, nem tão tarde. Como se fosse sair preparava-se com jeito de quem quer sentir-se bonita e interessante. Conquistadora, sedutora...


Sentou-se ao computador. Ligou essa máquina que nos últimos tempos tinha-se transformado parte de seu corpo e de sua alma, do seu universo, enfim. Não colocava nela nenhuma exigência que não fosse de obter conhecimento – tantos interesses, um mundo novo, uma aventura nunca antes experimentada.
Nasceu em uma época que não existia celular, nem computador. Agora via-se absolutamente encantada por essas máquinas que lhe davam a sensação de ultrapassar seus limites. A filha, já criada, usava-as como extensão de seu corpo e de sua mente, parecia, como sempre houvera sido.
No entanto, para ela... ah! Que sensação inovadora, maravilhosa sentia. Como se cada bocadinho dela renascesse, abrisse como uma flor ou como que um beijaflor sugasse um mel divino. Invadida sentia-se plena de ansiedade, uma ansiedade pueril até, mas renovadora. Percebia-se quase uma nula completa, cabeça ainda de conhecimentos parcos.
Um mundo novo se abria cada vez que ligava esse objeto  que pulsava como se vida houvesse por dentro.  E havia... ah, se havia! Como podia uma máquina, simplesmente uma máquina levá-la com tanta sensibilidade a uma quantidade de assuntos, de conhecimentos de maneira tão insaciável? Como podia se a levava direto para onde ela se sentia viva?
Era, de certa forma, aquilo que sempre buscara: o incessante estado de busca, de conhecer. Em toda a sua vida sofria um vazio em sua alma que a fazia sentir-se incompleta. Um ser com a mente irrequieta, sôfrega por algo que não sabia bem o que faltava. E sentia-se vã, aflita, suspensa no tempo – para que servia a vida, tal opressão. Sentia sua voz suspensa no ar, sem existência, sem eco, sem retorno... como se não a enxergassem ou escutassem.
Agora os horizontes se abriam... um vislumbre de esperança. De respostas, de que ainda tem saída, de reação, de realização, de expressão. É isso, alem de abrir novos conhecimentos, novas técnicas, novas tecnologias, novas parcerias de trabalho, ela estará indo de encontro ao seu próprio ser ao conectar-se com outros eus e vocês e eles...
A grande alegria de poder falar, gritar, apoiar ou não, agradecer, elogiar, enfim expressar-se. A quem quer que seja, a quem me traz alegria... o que me agrada. Como é bom saber que se tem voz, ainda que escrita e silenciosa. Quanto bem faz deixar de lado as vergonhas que nos impõem, os pudores, as travas que o mundo nos obriga a fingir.
E sinto que há uma troca lá do outro lado. Todos somos sedentos de se expor. Estou aqui! Estou com você, não estou sozinha! Sinto o mesmo, tenho as mesmas duvidas e medos.... a mesma sede, a mesma fome! Estamos na mesma fonte!
Sempre assim! Acordava mais um dia. Nem tão cedo, nem tão tarde! Como se fosse sair, preparava-se com jeito de quem quer sentir-se bonita e interessante. Conquistadora, sedutora, perspicaz, cheia de ideias, pensamentos, planos, projetos, afinidades, posturas, atitudes.
                                                                          Lia Henriques
                                                                                                  Agosto 2009

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